sexta-feira, 21 de julho de 2017

Le Orme - Felona E Sorona (1973)


Durante os anos setenta, a Le Orme passou de uma banda “somente” inspirada em Emerson, Lake & Palmer, pra uma formação de um rock mais refinado e com um som distinto ainda que claro, sem perder a sua principal influência de vista. Muito consideram esse disco o ápice da pirâmide criativa da banda com nove composições alternadas e bem elaboradas com teclados exuberantes e variados (órgão, piano, sintetizadores e conjunto de cordas) climas maravilhosos e forte, dinâmicas e uma incrível seção rítmica.

O disco é conceitual e trata-se da história de dois planetas que estão sempre girando um ao redor do outro, planetas esses denominados justamente Felona e Sorona, onde enquanto o primeiro é uma espécie de paraíso brilhante o segundo é negro e impregnado de desgraças. Só que nem sempre as coisas permanecem assim, pois na segunda metade da suíte as situações deles se invertem. O disco no mesmo ano do seu lançamento também teve uma versão em inglês, mas sem a mesma carga emocional, sendo a versão em italiano bem melhor. Musicalmente e liricamente belíssimo do começo ao fim, colocando o ouvinte a par das emoções que acontecem na história.

O álbum tem início de forma bastante complexa através da faixa “Sospesi Nell'Incredibile”, com mudanças radicais não apenas de tempo, mas também de humor e volume. A performance do teclado é excelente e o vocal assombrosa cercada por um órgão atmosférico marca no início do álbum um momento cheio de drama. Ainda dá tempo de ter um final de humor mais melódico reminiscente ao Emerson, Lake & Palmer e uma pirotecnia de teclado inspirada claramente em Keith Emerson.

O álbum começa com "Sospesi Nell 'Incredibile", uma música que começa extremamente complexa e me lembra "Lark's Tongues in Aspic", com mudanças radicais não apenas de tempo, mas também de humor e volume. A performance do teclado de Antonio Pangliuca é excelente, ao redor do meio, a voz assombrosa de Taglapietra cercada por um órgão atmosférico marca uma primeira mudança radical é absolutamente assustador e cheio de drama, mas essa não é a única mudança, a música termina em um humor mais melódico, reminiscente de O ELP com alguma pirotecnia de teclado inspirou claramente Keith Emerson.

“Felona” é curta e brilhante. Começa com uma casca de sinos, tem vocais encantadores e o acréscimo de uma flauta em uma parte mais adiante. Um tipo de faixa que me faz dar uma volta em uma manhã ensolarada onde é impossível caminhar sem assobia-la. Uma poesia que descreve todo o paraíso encontrado em Felona até então.

“La Solitudine Di Chi Protegge Il Mondo” é outra curta canção. Sonoridade onírica e imaginativa de vocais tristes e suaves sobre um piano que descreve a solidão do criador.

L'Equilbrio” é uma das melhores faixas com excelente contribuição de todos os membros, mas com destaque para a bateria e os sintetizadores. É uma faixa sobre como em certo momento as coisas serão equilibradas. Vibrante novamente com grande influência em Emerson, Lake & Palmer. Termina de forma suave e calma ao dizer ao ouvinte que as coisas podem e mudarão em algum momento quando Deus virar o rosto para o outro lado, mas o segredo do equilíbrio é que nenhum dos planetas conhece a existência do outro.

“Sorona” ao contrário da sonoridade apresentada em “Felona”, aqui a música soa extremamente sombria. As pessoas têm rostos atormentados por causa do sofrimento e a música faz o ouvinte sentir o que se passa no local. Um grito de desespero, medo e solidão bastante forte.   

Attesa Inerte” é uma faixa quase na mesma veia obscura que a anterior, mas quase narrada ao invés de cantada e descreve como os habitantes de Sorona se reúnem pra rezar pelo milagre, mas sem fazer nada. Tem uma linha de baixo bastante marcante e o órgão tem uma atmosfera perfeita, quase religiosa.

Ritratto Di Un Mattino” novamente uma faixa que inicia-se de maneira sombria com efeitos de teclados e no meio um pequeno verso que diz algo como, “você não consegue encontrar a felicidade em você, mas no que você dá aos outros”. Depois a música muda pra uma suave e linda melodia com um sabor do clássico italiano.

“All'infuori Del Tempo” outra maravilhosa música acústica que começa com um violão que ganha companhia de uma voz angelical e depois pelos teclados e bateria. Descreve como as coisas estão melhorando em Sorona, mas também piorando em Felona, fazendo o equilíbrio logo terminar. A música descreve essa situação perfeitamente, a primeira parte é suave e dá uma sensação de tranquilidade à medida que as coisas mudam, mas a segunda parte, apesar da música manter a mesma melodia, tem um humor mais sombrio, mais lendo e finaliza com um órgão final de certa forma assombroso.

“Ritorno Al Nulla” é instrumental e explosiva, dando a sensação de uma viagem intergaláctica chegando ao seu desfecho de maneira apoteótica. As coisas são equilibradas por um instante no tempo, Sorona caminhando para a felicidade e Felona no caminho para o destino sombrio que uma vez teve o outro planeta. Tudo em uma sonoridade caótica sendo feita através de um som de teclado de longa sustentação, seguido de excelente trabalho de órgão e bateria.

Existe também uma versão em inglês, mas se for escolher, fique com a italiana mesmo, pois a estrutura e fonética assim como a carga emotiva são simplesmente perfeitas. Talvez somente Aldo Tagliapietra possa dizer o que de fato representa Sorona e Felona para a banda, mas uma coisa eu sei, eles juntos nesse álbum são os personagens de uma música sublime de conceito profundo. Um "defeito"? Poderia ser mais longo.

- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.Sospesi Nell'Incredibile - 8:43 
2.Felona - 1:58
3.La Solitudine Di Chi Protegge Il Mondo - 1:57 
4.L'Equilbrio - 3:47 
5.Sorona - 2:28 
6.Attesa Inerte - 3:25 
7.Ritratto Di Un Mattino - 3:29 
8.All'infuori Del Tempo - 4:08
9.Ritorno Al Nulla - 3:34 

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

The Samurai of Prog - On We Sail (2017)


Um ano após o lançamento do seu último disco, o projeto liderado pelo multi-instrumentista Marco Bernard está de volta e o melhor de tudo, sem se mostrar desgastado no sentido artístico. O disco se trata de um conjunto belíssimo e perfeitamente equilibrado de sessenta e cinco minutos do que de melhor o rock progressivo sinfônico pode oferecer. Existem elementos clássicos do gênero que nos remetem a bandas como Kansas, Yes, Genesis e Emerson, Lake & Palmer em excelentes ritmos, surpresas harmônicas e sons orquestrais maravilhosos. Ás vezes a sonoridade pode ir de dramática à algo mais poderoso com bastante movimentação e energia. Um disco onde tudo é bem distribuído e direcionado, mostrando músicos que sabem de onde vieram e para onde vão, sem que em momento algum se percam em instrumentações confusas.

O álbum tem início com a faixa título, “On We Sail”, através de um sintetizador vintage aliado com elementos modernos de neo progressivo. Logo, a seção de ritmo perspicaz de grave e bateria aumenta as camadas profundas que a banda utiliza através da música e do álbum como um todo. Melodias de violino também entram se juntam a canção. Possui um vocal ao estilo Gentle Giant que está sempre em perfeita harmonia com o pano de fundo instrumental. Também tem uma passagem instrumental extremamente enraizada na linha neo progressiva. Apesar de uma composição fortemente amarrada, seu solo num breve momento mais brando gelifica a canção de forma bastante introspectiva. Excelente maneira de começar um álbum.

“Elements of Life” começa com uma flauta isolada em uma mistura que lembra Camel, mas também um pouco de Jethro Tull, adicionando uma marca de música clássica. Em seguida ganha um direcionamento orquestral mais exuberante antes que um baixo profundo apareça seguido de um instrumental melódico. É uma faixa que em si carrega uma profunda estética musical clássica no seu decorrer. Tem uma passagem instrumental que oferece uma excelente trilha para os vários elementos climáticos da experiência humana. Isso é perfeitamente combinado com o conteúdo lírico da música.

“Theodora” é uma faixa feita pra quem gosta de Annies Halsam do Renaissance. Michelle Young se destaca como um verdadeiro tesouro nos vocais, cantando com uma voz muito sensual e bastante alma. Essa faixa também coloca uma grande ênfase em assinaturas de tempos e progressões de acordes. Possui uma bela troca de vocais femininos e masculinos. Os coros de apoio são fortemente sinfônicos em sua natureza. Há algumas pausas agradáveis entre linhas vocais que permitem que a música respire para que o ouvinte possa assumir o propósito completo da obra.

“Ascension” é uma faixa instrumental e tem sua abertura com uma orquestração atmosférica criada pelo teclado e que logo é apanhada em melodia com uma linha sutil, mas brilhante de baixo. Depois tem uma progressão de acordes funk/fusion com uma flauta que acentua a melodia instrumental. A guitarra se apresenta em uma cama mais profunda. Interessante ver como nesta faixa a banda parece tocar tão naturalmente e de esforço mínimo, mas com um resultado formidável. Também possui um piano que permite que elemento clássico esteja presente na música.

“Ghost Writen” inicia-se com uma linda passagem de guitarra que é aprimorada com o som sutil da flauta e vocais. Uma configuração perfeita para uma ótima história. Carrega grandes melodias e camadas de violões e flautas, juntamente com as seções de cordas de guitarra e teclado. Tudo dá uma certa atmosfera celta a música. A seção rítmica é muito bem ancorada fazendo com que todos os instrumentos envolvidos tenha o seu “lugar ao sol”. Pra citar duas bandas que se pode notar os elementos aqui eu diria que Camel e Caravan. Uma canção bastante edificante e liricamente sábia onde os vocais são nitidamente influenciados pela I.Q. The Samurai of Prog tem uma habilidade muito inteligente para permitir que cada canção respire para que todos os instrumentos brilhem e esta música é um exemplo bastante claro disso.

“The Perfect Black” tem uma linha mais obscura. Começa com uma seção de ritmo profundo, juntamente com um órgão hammond de estilo atmosférico. Possui um excelente título devido a progressões de acordes imprevisíveis. Apesar de também ser instrumental, tem melodias capazes que criar no ouvinte imagens épicas como a de um capitão de um navio velejando em alto mar ou filmes com histórias que possuem grandes batalhas. A espinha dorsal dessa música é fortemente de natureza clássica dando uma capacidade maior ainda de absorver as imagens anteriormente citadas. O piano apresentado em determinada parte soa como se Bach ou Mozart estivessem tocando rock progressivo. Também tem um grande trabalho de violão de influência latina.

Impossível não remeter os primeiros segundos de “Growing Up” ao Jethro Tull, grande parte da introdução na verdade. A banda faz um excelente trabalho em contar histórias com o conteúdo lírico. A flauta influenciada por Ian Anderson é o herói desconhecido da música. A bateria permite que a flauta e os instrumentos de cordas tenha a oportunidade de envolver o ouvinte em vários níveis. No geral essa é uma canção bastante divertida.

“Over Again” é uma peça belíssima de piano influenciada por grandes da música clássica como Beethoven e Bach. Um ótimo momento de transição que funciona principalmente ao vivo onde os demais membros da banda ganham um breve período de descanso. Essa faixa também é bastante suave que permite que o ouvinte “digira” o que foi apresentado até agora e emenda com a faixa que vai fechar o álbum.

“Tigers” é a última faixa do álbum. Se inicia com alguns elementos de piano e violino dando um peso a música antes que ela assente em um piano isolado que acompanha os vocais. Essa música é um rock progressivo tradicional. Tem peso nos teclados e flauta e violino que adicionam maior profundidade as camadas sonoras e que é uma marca registrada da banda. Destaco aqui também os vocais bastante emotivos e executados com muita convicção, não servindo apenas como um caixeiro de história, mas atingem cada nota com perfeição a medida que a música evolui. Tem um solo de guitarra de grande profundidade e emoção seguida por uma seção rítmica não menos marcante e agradável. Sem dúvida que através de sua última faixa, o disco finaliza sua jornada melódica de maneira soberba.

Adoro como a The Samurai of Prog sempre deixa espaço para o ouvinte absorver e digerir cada álbum de acordo com suas personalidades individuais. Também provam mais uma vez que ainda existe um grande mercado progressivo tradicional, onde nada parece ser forçado e carregam consigo uma consciência inteligente para incorporar elementos mais novos que podem atrair a nova sem decepcionar a velha guarda. 

- Tiago Meneses -

Track Listing

1.On We Sail - 6:21
2.Elements of Life - 7:54
3.Theodora - 5:55
4.Ascension - 5:19
5.Ghost Written - 9:40
6.The Perfect Black - 9:30
7.Growing Up - 5:42
8.Over Again - 4:06
9.Tigers - 10:34

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Anthony Phillips - Slow Dance (1990)


Álbum extremamente subestimado. Confesso que não há muitos álbuns do Phillips que eu gosto de ouvir do início ao fim, a maioria tem alguns momentos de brilho, mas falham na hora de manter minha atenção durante todo o tempo devido à falta de variedade de instrumentação. Mas em Slow Dance isso é diferente. Você pode ouvir muitos instrumentos clássicos como oboé ou harpa, um quarteto de cordas, flautas e muitas camadas de teclados. Quando escuto esse álbum eu me pergunto se isso poderia de fato ser descrito como rock, afinal, algumas passagens são puramente clássica, outras partes a tendência é mais eletrônica e em outros momentos percebo elementos new age, enfim, um disco em que o ritmo e gênero não são definidos de forma linear. Ao ouvi-lo, o nome de Mike Oldfield vem em mente, mas Slow Dance é mais suave. Como o título do álbum sugere, a música é desenvolvida lentamente de um humor para outro em suas trilhas laterais. De vez em quando a música delicada incide uma parede sinfônica impressionante, mas ainda assim, o humor geral é melancólico. Difícil de imaginar que um disco deste é do primeiro guitarrista do Genesis, afinal, o teclado é o que domina aqui. Esse foi um dos primeiros discos do músico que conheci e com isso passei a procurar algum outro trabalho que soasse parecido com ele, mas não existe, é diferente de tudo que ele fez.

Um disco de qualidade sublime em todos os sentidos, Slow Dance é extremamente romântico sem ser coxo, Anthony Phillips criou uma obra de arte de mais de cinquenta minutos que depois de uma sessão de escuta atenta, edifica nossa alma e introspectiva todos os sentidos, mudando a percepção sobre música pelo resto da vida.

Um álbum capaz de ser digerido facilmente sem a necessidade de ter a sua complexidade sacrificada, que carrega uma forma moderna de música clássica disfarçada em um progressivo fino e delicado. Os arranjos, a dinâmica, a melodia e a musicalidade são perfeitas sem a necessidade de se mostrar pretensiosa, deixando claro que no mundo da música, a capacidade mental é muito mais poderosa e pode criar mais impacto sobre a mente do que a capacidade física. Sem dúvida algum, um daqueles registros que somente de tempos em tempos aparecem pra ,aravilhar a Terra com uma qualidade fora do comum. 

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.Slow Dance (Part One) - 24:01
2.Slow Dance (Part Two) - 26:27

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terça-feira, 18 de julho de 2017

Aglagard - Hybris (1992)


Em 1992 o Dream Theater lançava um dos seus maiores clássicos, Images and Words, receberam grandes elogios da crítica e do público menos purista de rock progressivo e que gostavam dessa mistura do gênero com o metal, mas por outro lado, aqueles fãs que diziam que o gênero estava morto e enterrado desde 1979 e sequer aceitavam as bandas de neo progressivo, precisavam de algo a mais, sendo a Anglagard exatamente aquilo que parecia faltar no universo progressivo dessas pessoas a até então mais de uma década.

Anglagard significa Jardim dos Anjos e poucas vezes vi um nome de banda tão perfeitamente escolhido, pois sua música é quase celestial, onde mesmo pertencendo aos anos 90, evitam o uso de instrumentos que não foram usados nos anos 70 por seus predecessores. Em uma organização de CDs é difícil não colocar esse disco na mesma seção que dinossauros como King Crimson, Genesis e Yes.

Hybris é brilhante e apresenta tudo que o progressivo representa. Claro que tem uma forte influência em Yes, Genesis e principalmente King Crimson e até mesmo Focus, mas a banda assumiu essa influência e trabalhou de maneira exclusiva, evitando soar de forma mais simples como bandas de neo progressivo ou simplesmente clone de grupos 70’s.

A primeira faixa “Jördrok (Earth Smoke)” começa com uma seção de piano incrivelmente bela, obscura e melancólica como a temporada de inverno na Suécia, mas também assustadora, quase como anunciando a explosão crimsoniana que seguirá, toques de flauta precisos, muito Mellotron e seções de mellotron. Uma abertura até difícil de descrever em palavras modestas, pouco mais de onze minutos de um rock progressivo puro e preciso.

"Ifrån Klarhet Till Klarhet (From Strength to Strength)” começa meio que ao som de caixa de música de sonoridade circense que logo dá lugar a uma explosão musical novamente crimsioniana. Mudanças frequentes de andamento em um estilo Yes e que levam a um momento mais calmo de guitarra acústica e teclados típicos do progressivo clássicos também compõem a música.

"Kung Bore" (King Winter)” fecha o album. Começa com uma seção de guitarra acústica seguida de teclados e toda a banda um estilo derivado que dificilmente eu identifico como alguma influência principal, tendo um pouco de King Crimson, Focus, Yes e Genesis era Gabriel, mas ao mesmo tempo, nada específico de ninguém em particular. Uma faixa menos obscura e mais nostálgica, vocais versáteis, os melhores trabalhos de baixos do disco, guitarras marcantes, bateria enérgica e teclados extremamente criativos e técnicos. A música em seus últimos segundos faz o disco terminar de forma pastoral.

Um disco onde a música parece ter sido composta por membros do Yes e King Crimson. Uma música complexa, nítida e nervosa com toques obscuros. Várias vezes hipnotizantes, através de paisagens sonoras que mudam de maneira vertiginosa, levam o ouvinte a um universo imaginativo que poucas músicas conseguem levar. Sem dúvida que ao menos que o seu cérebro esteja morto, você vai encontrar em Hybris tudo aquilo que de melhor pode existir no rock progressivo. 

- Tiago Meneses -


Track Listing

1.Jordrök (Earth Smoke) (11:10)
2.Vandringar I Vilsenhet (Wanderings in Confusion) (11:53)
3.Ifrån Klarhet Till Klarhet (From Clarity to Clarity) (8:04)
4.Kung Bore (King Winter) (12:57)

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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Emerson, Lake & Palmer - Emerson, Lake & Palmer (1970)


Sem a menor dúvida um dos álbuns mais importantes da história do rock progressivo. A estreia de uma banda de apenas três integrantes, porém poderosos músicos capazes de entreter uma multidão em performances “solos” avassaladoras. Três forças comandantes em que cada uma coma tinha o seu próprio holofote em cima do palco. Um registo bastante complexo, muita evidência de criatividade, abordagem cheia de drama inspirado e uma ampla gama de ótimas ideias. Um tipo de música pura que agarra pelos os ouvidos e transporta o ouvinte para outro lugar.

Keith Emerson mostra que não é apenas um virtuoso, mas também mostra que sua habilidade em harmonia e desenvolvimento do tema inegável. Também são notáveis as transições suaves entre partes improvisadas. Grek Lake é uma voz excelente e trabalha muito bem o seu baixo e apesar de sentir que nem sempre Carl Palmer tem a mesma precisão dos outros dois, ele consegue encaixar muito bem na música. Um disco um tanto diversificado e de bastante dinâmica.

A primeira faixa "Barbarian" é uma referência a um trabalho enérgico do compositor clássico húngaro, Bela Bartok. Uma coisa é fato, e você quiser gostar do Emerson, Lake & Palmer, você tem que gostar da música clássica, pois é algo bastante apresentado no seu estilo. "Take a Pebble" é uma das melhores músicas prog com piano. A banda encontra expressão na interação e a voz de Lake é muito cativante. O solo de guitarra acústica aumenta a dinâmica com o tom silencioso. As linhas de piano de Keith Emerson são destaque. Toca de maneira virtuosa, mas despretensioso e concentrado na criação de uma atmosfera.

"Knife Edge" é uma boa prova de que uma banda sem guitarrista pode realmente funcionar muito bem. Os riffs são bastante pesados, surpreendentemente, a música é baseada na Sinfonietta de Janacek. No meio há uma citação a Bach. Um excelente Hammond também é tocado música. A punica bola fora da banda aqui é que as citações não são creditadas. "The Three Fates" é a vitrine instrumental de Emerson. Essas composições sofisticadas e complexas se inclinam para a música clássica e apresentam alto nível de musicalidade. No começo, essa composição de três partes pode parecer autoindulgente e bombástica, mas não encaro esse como sendo um caso. Vejo apenas como uma peça musical bem elaborada e que pode prender a atenção do ouvinte do primeiro ao último segundo.

“Tank” não é que ache uma faixa fraca, mas hoje em dia geralmente eu a pulo quando escuto esse disco. Tem um começo e final que não me prenderam e um solo de bateria no meio, sendo que algo que nunca consegui gostar é de solos de bateria. "Lucky Man" foi um single de sucesso. Tem um refrão bastante bonito com voz e back vocals (que também eram feitos por Lake) de grande harmonia.  As letras de Lake são sobre o absurdo da guerra. Uma balada agradável com uma melodia folk e um solo moog no final.

Difícil dizer qual é o melhor álbum entre os quatro primeiros da banda, mas com certeza esse é o mais indicado pra quem procura músicas mais consistentes e menos explosivas. Considero o melhor ponto de partida pra quem queira se aventurar no som da banda, mas como eu disse lá no começo, pra gostar de forma plena de Emerson, Lake & Palmer é preciso apreciar a música clássica principalmente barroca, pois esses elementos não são encontrados no disco também no seu estilo original. Há também grandes momentos jazzísticos. Enfim, se você considera teclados proeminentes e não se importa com a falta de guitarra, conhecer esse álbum é obrigação. 

- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.The Barbarian - 4:33
2.Take A Pebble - 12:34 
3.Knife-Edge - 5:08
4.The Three Fates - 7:45 
5.Tank - 6:52 
6.Lucky Man - 4:36


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sábado, 15 de julho de 2017

Discipline - Captvives of the Wine Dark Sea (2017)


Nos últimos vinte anos é verdade que a banda lançou apenas dois álbuns, mas também é inegável de que são dois discos de qualidades absurdas. Mas apesar desse espaço tão grande de lançamentos, tendo o último sido à seis anos, o resultado obtido em Captvives of the Wine Dark Sea mostra que valeu apenas esperar, pois  o resultado aqui apresenta um disco que transpira classe. Tecendo músicas lindamente trabalhadas através de histórias excitantes e emocionais com toques de melancolia, embora também haja uma sensação de positivismo e brilhantismos nas faixas. Suas influências estão bastante em Van der Graaf Generator e King Crimson para citar apenas duas delas, mas essas bandas são usadas apenas como um ponto de partida, sendo assim, a banda também desenvolveu o seu próprio som.

O álbum contem sete faixas tendo como resultado um trabalho de quarenta e cinco minutos, o veterano produtor Tarry Brown que já produziu bandas como Rush e Fates Warning ofereceu aqui uma mistura que mantem bastante claro e identificável os instrumentos deixando tudo equilibrado, acompanhado de uma alta qualidade nas performances de toda a banda.

A abertura do álbum é com nove minutos de “The Body Yearns”, os pianos e os vocais de Matthew tecendo a história. No meio do caminho há uma mudança lenta de ritmo, quase sinistra, antes de retornarem a melodia original da música. A segunda faixa é “Life Imitates Art”, aqui estamos nitidamente no território do Van der Graaf Generator, como teclados e baterias enérgicas, boa marcação de guitarra e um coro bastante atraente. Uma música que me ganhou logo de cara.

“S” é um dos momentos do álbum em que a banda tem a oportunidade de flexionar seus poderosos músculos musicais. Parece inspirar-se em peças clássicas com teclados na frente e contraponto pela guitarra com toques crimsonianos para construir a tensão antes que o fluxo se rompa e a música se torne um pouco perturbadora. “Love Songs” é quase uma música anti amorosa com Matthew suplicando “não me fale de canções de amor” e depois cantando “eu só quero ficar sozinho”. A música dá uma sensação que remete aos Beatles, tem ótimos violões quando é necessário, linhas de guitarras encorpando a faixa e ao fundo pianos edificantes. Uma canção de rock direta e de melodia cativante. “Here There Is No Soul” é quase uma canção de rock direto com uma melodia cativante, mas no meio do foco começa a mudar com a guitarra e órgão, dando-lhe uma sensação mais "prog".

“The Road Game”, faixa instrumental de uma melodia que gruda facilmente à cabeça. Bastante progressiva e bem estruturada ao melhor estilo no qual a banda é bastante conhecida. Todos os instrumentos trabalhando em perfeita harmonia e sendo um gancho perfeito para o épico que fecha o álbum. “Burn The Fire Upon The Rocks” com seus quatorze minutos e meio encerra o álbum, uma demonstração perfeita de como apresentar uma longa canção e fazê-la ser vista também como uma obra de arte. Composta por sete parte ou movimentos, tudo soa de maneira muito coesa, cada um fluindo para o outro sem que separação óbvia entre eles. Às vezes uma liderança das guitarras com os teclados em suporte. À medida que os vocais se juntam a banda após um piano mais jazzístico que lidera a música por um momento, Matthew se mostra arrebatador em sua interpretação. A música continua a evoluir com uma oportunidade de Chris Herin mostrar a sua qualidade na guitarra enquanto a cozinha baixo e bateria de Mathew Kennedy e Paul Dzendzel, respectivamente, respondem a mudança de ritmo sem nenhum esforço. À medida que a música vai chegando ao seu fim, a guitarra e os teclados estão quase em duelo, acompanhados pelos ritmos da bateria.

É interessante perceber que as contribuições de Chris Herin (Tiles) encaixaram bem no som da banda, considerando que o guitarrista anterior, Jon Preston Bouda, foi um elemento chave na sonoridade do grupo.

Captvives of the Wine Dark Sea é um trabalho criativo, um bom exemplo de música progressiva moderna e outro excelente complemento ao cânone da Discipline. Todos nós precisamos de alguma disciplina em nossas vidas e não há maneira melhor que começar do que aqui.

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.The Body Yearns - 9:24
2.Life Imitates Art - 4:18 
3.S - 4:11
4.Love Songs - 3:42
5.Here There Is No Soul - 3:20
6.The Roaring Game - 6:10 
7.Burn The Fire Upon The Rocks - 14:30

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Locanda Delle Fate - Forse Le Lucciole Non Si Amano Più (1977)


Apesar de amar tantos discos do rock progressivo italiano, esse sem dúvida alguma é o meu preferido de todos. Uma banda formada por sete membros, dois tecladistas, dois guitarristas, baixista, baterista e vocalista, mas que infelizmente começaram a sua carreira em um ano onde o rock progressivo da terra da bota começava a definhar. Depois que o álbum foi lançado a banda encontrou pouco ou nenhuma demanda por performances ao vivo e pouco interesse por sua música. Então depois de um par de concertos vazios eles desistiram. A música encontrada nesse disco é colorida, sinfônica e enfatiza a intensa interação melódica dos vários instrumentos. Tudo é bastante natural e inspirador, os instrumentos, as composições e a forma como a música é reproduzida é simplesmente sublime. Cada tema é muito bem desenvolvido e passam por variações de forma tão majestosa que é difícil comparar a Locanda Delle Fate com alguma outra banda, sendo esse um disco que representa somente o que ele é e nada mais.

“A Volte Un Istante Di Quiete” abre o álbum de maneira bastante forte baseada em uma performance impecável de piano e uma pompa conhecida do rock progressivo fornecida pelo resto da banda. A flauta funciona como um “alívio” entre as passagens mais vibrantes iniciais e finais, uma grande faixa de abertura que já prepara o ouvinte pra grandes momentos que ainda estão pode vir.

Forse Le Lucciole Non Si Amano Più” começa com uma introdução de piano incrivelmente bonita que liga imediatamente a uma passagem vocal onde Leonardo Sasso faz demonstração de energia e sensibilidade com sua gama incomum, mas quando tudo parece suave, bateria e violões anunciam uma mudança. Sem modificar a atmosfera inicial os instrumentos são adicionados em uma dança de sons e humor. Impressionante como eles adicionam uma flauta quase medieval a uma balada progressiva absolutamente dolorosa e emotiva. Por volta do meio a banda se transforma radicalmente entrando em uma passagem frenética onde as teclas adicionam uma estranha seção rock a uma velocidade insana, apenas para retornar ao som inicial. Menção especial a Sasso, que fornece todo o poder que ele é capaz de trabalhar.

Profumo Di Colla Bianca” segue fazendo o álbum manter sua incrível qualidade melódica. O piano e os vocais funcionam como se ambos fosse um novo e complexo instrumento ligados como irmãos siameses. Também possui guitarras extremamente elaboradas e baterias sombrias. Mas apesar de todas essas excelentes características, o que mais me impressiona na banda é a sensação de fluidez, a música flui suavemente do começo ao fim de uma maneira lógica e coerente, sem contradições e extremamente bem elaborada.

Cercando Un Nuovo Confine”, pela primeira vez pode-se encontrar uma influência de algo aqui, mais precisamente do Genesis, mas ainda assim remota. Mesmo quando a música é tipicamente tão italiana em atmosfera, melodia, instrumentação e vocal, Ezio Vevey toca de maneira a lembrarmos de Steve Hackett e possui um pouco de flauta ao estilo Peter Gabriel, mas não chega nem a ser o suficiente pra ser considerado nem mesmo uma influência moderada, apenas uma lembrança distante.

“Sogno Di Estunno” tem uma introdução pastoral baseada em teclados e flauta, mas logo se transforma em uma faixa forte com uma performance vocal deslumbrante. Mas como mudanças é algo característico da banda, a faixa salta para uma passagem orientada pro clássico com uma brilhante interação entre teclado e flauta. Aqui podemos encontrar uma semelhança com Emerson, Lake & Palmer, mas como sempre, apenas distante, porque a doçura da música é difícil de comparar com qualquer outra banda.

“Non Chiudere A Chiave Le Stelle é um interlúdio acústico curto e romântico que liga "Sogno di Estunno" com a poderosa “Vendesi Saggezza”, faixa qual Leonardo Sasso nos concebe uma das suas performances mais memoráveis, adicionando não só sua força habitual, mas também um toque sentimental, ao contrário de qualquer faixa anterior. Mesmo quando a banda se move de um humor sonoro suave e melancólico para passagens musicais elaboradas e complexas, a voz permanece como uma constante. A seção final é absolutamente deslumbrante e frenética, adicionando um novo som à música.

Locanda Delle Fate é uma banda italiana clássica, com arranjos menos complexos do que a maioria das bandas da região, formada por músicos obcecados pela criação de melodias incrivelmente lindas onde mesmo quando há influências de alguns clássicos sinfônicos, é mais uma consequência lógica de duas bandas que tocam o mesmo subgênero do que uma tentativa de uma emular a outra, porque o trabalho encontrado aqui é absolutamente único mesmo para os moldes da Itália. 

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.A Volte Un Istante Di Quiete - 6:31
2.Forse Le Lucciole Non Si Amano Più - 9:48 
3.Profumo Di Colla Bianca - 8:25 
4.Cercando Un Nuovo Confine - 6:41
5.Sogno Di Estunno - 4:41 
6.Non Chiudere A Chiave Le Stelle - 3:34 
7.Vendesi Saggezza - 9:37

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Galahad - Quiet Storms (2017)


Após cinco anos a Galahad está de álbum novo. Quiet Storms é caracteristicamente um disco “diferente”, exibindo um lado mais contemplativo e suave para a personalidade da banda. Mas de qualquer forma, a banda nunca teve medo de experimentar e sair em diferentes caminhos e direções através da sua carreira de mais de vinte cinco anos.

Quiet Storms é uma continuação do CD duplo When Worlds Collide de 2015 em que evitaram lançar de maneira normal uma retrospectiva, onde não apenas tratava-se de uma compilação, mas regravaram e re-imaginaram muitas de suas antigas músicas. Em Quiet Storms a banda reescreve de forma semelhante uma série de músicas mais antigas, mas as interpreta de forma diferente das versões originais.

O álbum abre com “Guardian Angel” através de um piano adorável e simples apoiado por belos e sinceros vocais. Uma interpretação cristalina e que está bem longe da sua versão frenética e original do disco Beyond The Realms Of Euphoria. “Beyond the Barbed Wir”, originalmente lançada em Battle Scars, segue um caminho semelhante, mas com adicionais de guitarras acústicas. Como sugere a ambiguidade do título do álbum, músicas como esta podem ser transmitidas de maneira mais sutil e pastoral, mas ainda assim passarem ao ouvinte a intensidade de suas versões originais através de uma maior clareza das letras e com uma sensação de restrição musical que tem seu poder próprio.

Algumas das características mais notáveis de Quiet Storms são as escolhas incomuns de covers, indicando que a Galahad não é estreita quando diz respeito aos seus limites musicais. Anteriormente lançada como single, “Mein Herz Brennt” é uma canção originalmente composta pela banda alemã Rammstein. Nicholson canta em alemão sobre um leve piano e violino que a deixa uma galáxia de distância da versão original. Os vocais dão a canção um ângulo pessoal. É uma música encantadora e em minha opinião deveria está na posição de última do álbum.

“Termination” tem sua versão original no disco Empires Never Last e reapresentada aqui em um dueto doce e melancólico, os vocais são divididos com Christina Booth da banda Magenta, retomando sua contribuição menos restrita que a original. Apesar de uma abordagem mais silenciosa, este é um caso de que “menos é mais” á medida que a emoção goteia de cada nota ao invés de ser “sufocada” por uma sonoridade mais alta e pesada.

Algo interessante em relação ao som desse disco é que ano passado o guitarrista de longa data da banda, Roy Keyworth deixou o grupo e isso pode explicar em partes o porquê esse álbum apresentar de maneira proeminente os teclados de Baker e a voz de Nicholson e muito menos guitarras. Nicholson em particular parece ter aproveitado a oportunidade para mostrar a versatilidade notável e o rico timbre da sua voz. “This Life Could Be My Last” começa exatamente com uma repetição de frases da faixa título como acontece em sua versão original do disco Empires Never Last, cheia e emoção sobre uma fina cama de piano acompanhada de leve percussão nos refrãos e assim a música se desenvolve de forma belíssima.

Em “Easier Said of Done” Dean Baker mostra suas habilidades orquestrais e que são resplandecentes, ainda acrescida de uma voz que se derrama feito mel em uma música originalmente ouvida em 1999 no disco Following Ghosts. Na faixa ainda tem uma grande participação de Sarah Bolter que acrescenta um delicioso clarinete para ajudar a transformar isso em verdadeira pérola. Quiet Storms também tem algumas músicas originais, a translúcida "Willow Way" brilhando como um raio solar musical e lírico em um disco frequentemente obscuro. Os sons do campo são acompanhados por um bonito teclado e suaves guitarras acústicas que fluem bem e de maneira pastoral.

Mesmo quando o ouvinte acha ter o controle da direção que o álbum está tomando com versões em grande parte de piano e gentis vocais, a banda dá uma virada em “Melt”, um pop sintetizado e ecoado por sonoridades 80’s, e que também carrega sutis e emotivas linhas de piano.

Queria falar rapidamente sobre duas faixas não mencionadas e que para os meus ouvidos confesso que me mostrou que nem todo o álbum funciona com eficácia, sendo assim, “Iceberg” e “Shine” não possuem a mesma sutileza e o impacto do resto álbum, mas isso no fim das contas segue o fluxo natural da experimentação, onde nem sempre funciona para todos. Mas são apenas pequenas queixas que em momento algum diminuem o brilho e a experiência positiva da grande maioria do álbum.

Alguns fãs de longa data e admiradores da orientação progressiva da banda podem lutar um pouco pra absolver a direção escolhida pelo grupo em Quiet Storms, mas aconselho persistir e não abandonar após a primeira audição, pois pode com o tempo encontrar nessa abordagem pastoral algo edificante. A banda encontrou aqui a sua busca? Claro que não, até mesmo porque eles nunca procuraram por nada. A banda não quer achar algo que os façam parar com suas mudanças, afinal, a Galahad é uma banda que sempre preferiu a jornada do que buscar algum destino. 

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.Guardian Angel - 3:54
2.Iceberg - 4:10
3.Beyond the Barbed Wire - 4:28
4.Mein Herz Brennt (My Heart Burns) - 5:03
5.Termination - 5:17
6.This Life Could Be My Last - 5:50
7.Pictures of Bliss - 2:11
8.Willow Way - 4:13
9.Easier Said than Done - 4:18
10.Melt - 4:28
11.Weightless - 5:30
12.Shine - 9:15
13.Don't Lose Control - 5:40
14.Marz (and Beyond) - 6:14
15. Guardian Angel (Hybrid) - 4:43

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Mahavishnu Orchestra - Visions of the Emerald Beyond (1975)


Minha resenha em relação a esse disco é daquelas que parecem ser feitas para causar algum tipo de discórdia em relação aos fãs mais ardorosos da banda que consideram seus dois primeiros discos, The Inner Mounting Flame e Birds of Fire como a maior expressão artísticas de McLaughlin e companhia, mas devo ser sincero, e apesar de amar seus primeiros discos, esse vai além.

Muitos descrevem a formação original da banda algo perto da perfeição e outros acham que depois da saída de Goodman, Gobham e Hammer a banda deveria ter mudado de nome. Respeito essas opiniões, mas respeitosamente eu também discordo de todas, pois acho Visions of the Emerald Beyond o melhor disco da banda.

Verdade seja dita que Jerry Goodman é um violinista brilhante, mas a adição de Jean-Luc Ponty com sua incrível formação clássica e seu estilo melódico adicionou algo que a banda exigia. Eles deixaram de ser principalmente uma banda de jazz que adiciona outros gêneros, para ser de fato uma música progressiva que mistura completamente jazz, rock e até música clássica de maneira delicada, menos frenética do que trabalhos anteriores, mas mantendo seu som bastante coerente.

Apesar da banda ter “sacrificado” o espírito jazzístico o preço que pagaram foi bastante justo, se tornando uma banda mais estruturada, sólida e melódica, algo mais fácil de ouvir por aqueles que admiram, mas não chegam a ser aficionados por fusion, deixando tudo fluir de maneira mais prazerosa e compreensiva. Se nos seus primeiros registros as habilidades são o que mais me impressiona, aqui de fato a música é o que me captura, a beleza mística combinada entre o jazz, rock e o clássico agora soa mais perto do sinfônico.

É um tipo de álbum que comove do começo ao fim, mas acho que sempre vale a pena ressaltar uns destaques quando não vejo a necessidade de falar faixa por faixa. “Eternity Breath Part I and II” abrem o disco com dois lados de uma mesma moeda, a força da guitarra de McLaughlin junta-se ao sentido melódico de Ponty em um ponto intermediários pra ambos os músicos, cada um tocando seu próprio estilo, mas o segundo tornando-o mais suave, em uma cadencia sutil e estruturada, simplesmente fantástico, tudo acrescentado de uns cantos misteriosos.

" Can't Stand Your Funk  " é uma canção deliciosa de ponta a ponta, o elemento funk os colocam em um território até então inexplorado pela banda, mas isso não significa que eles esquecem suas raízes. Eles encontraram o equilíbrio perfeito com a brilhante participação de Michael Walden, que até pode fazer os fãs mais ávidos sentirem saudade, mas não falta de Cobham.  "Pastoral" é a confirmação de que estamos diante de uma banda diferente, Ponty executa um solo de tirar o fôlego em que os elementos do clássico e do jazz combinam como se ambos os gêneros fossem criados para fundir em algum momento, a musicalidade e a melodia forte são a marca registrada dessa fase da banda.

“Faith” é uma daquelas curtas músicas que desejamos que tivessem terem sido um épico, mesmo quando a banda adiciona tudo que eles têm eu seu repertório a música é completamente estruturada e coerente, sem abuso de interferência. "Earth Ship" traz uma melodia incrivelmente bela com Ponty, adicionando seu violino experimental e alguns cânticos na veia de Magma, outra contribuição mística.

Apesar de citar apenas algumas, jamais pensem que as demais faixas não possuem o mesmo valor, pois esse disco é fundamental do primeiro ao último segundo, da primeira a última nota. O conjunto geral de sentimentos misturados com a improvisação é surpreendente e edificante, deixando o ouvinte em um estado de êxtase. Indispensável. 

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.Eternity's Breath Part 1 - 3:10
2.Eternity's Breath Part 2 - 4:48
3.Lila's Dance - 5:34
4.Can't Stand Your Funk - 2:09 
5.Pastoral - 3:41
6.Faith - 2:00
7.Cosmic Strut - 3:28 
8.If I Could See - 1:18 
9.Be Happy - 3:31
10.Earth Ship - 3:42 
11.Pegasus -1:48
12.Opus 1 - 0:15
13.On The Way Home To Earth - 4:34 

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Barock Project - Detachment (2017)


Liderada pelo multi-instrumentista e compositor, Luca Zabbini, Barock Project tem em seu 5º disco a comprovação definitiva de que a banda não se trata mais de promessa ou revelação, mas uma realidade que os colocam no patamar dos melhores grupos de rock progressivo em atividade surgido nesse século.

Continuam a mostrar uma grande progressão em sua música, mas mantendo-se extremamente fiel ao seu estilo. Detachment é uma verdadeira montanha russa de notas e variação de humor. Mais moderno, variado, diversificado e até mesmo pesado que os trabalhos anteriores. É como pegar perfeitas doses o rock, jazz, metal, prog, flamenco, música oriental, folk, música celta, pop, música sinfônica e misturar bem, tendo como resultado um trabalho impecável na composição, execução e produção.

A abertura através de “Driving Rain” dura pouco mais de um minuto, tem uma bonita melodia de piano que combina bastante com o clima melancólico que a capa do álbum apresenta, nos faz acreditar que estamos prestes a começar uma viagem sonora fria e obscura. “Promisses” é a faixa que de fato dá início ao disco e de maneira avassaladora, dominada pelos sintetizadores nos mostrando ainda algumas abordagens de metal executados de maneira mais delicadas, partes vocais cativantes e instrumentais pesados. “Happy to See You” é outra faixa belíssima, trazendo uma mescla perfeita entre virtuosismo e musicalidade de fácil aceitação. Belo trabalho vocal e refrão pra cantar junto. Também possui um solo de hammond sensacional seguido por um de guitarra que é puro sentimento executado sobre um lindo arranjo sinfônico.

“One Day”, de início já mostra uns sons de guitarra neoclássica e que logo mudam para um som de 12 cordas. Rock progressivo clássico literalmente, elementos de beleza pastoral, flauta, pianos e um crescimento na sonoridade fazendo a ficar com um ar de épico. “Secret Therapy” começa com tablas e execuções acústicas rápidas e de aromas orientais. Produção sensacional e de paisagem sonora feita por quem sabe usar a nuance de sua música pra “colorir” o som de maneira soberba. “Broken” traz Peter Jones (Tiger Moth Tales) como convidado nos vocais onde mostra toda a sua influência em Peter Gabriel. Piano, arranjos de cordas e trabalhos belíssimos de guitarras elétricas e acústicas, bateria quebrada, fortes sintetizadores. Faixa mais longa do álbum com quase dez minutos e também um dos momentos mais inspirados da banda.

“Old Ghosts” inicia com vocal sobre uma atmosfera criada pelo teclado até ganhar mais força com a entrada de bateria e guitarra acústica. Suaves pianos, vocais melódicos, coros bem feitos e ótimos backing vocals além de um momento mais pesado. “Alone” é mais uma música onde os vocais ficam por conta de Peter Jones. Basicamente piano e voz onde sentimento imposto pelo vocalista sobre cada nota faz desse apesar de um simples e curto momento do disco, um dos mais emotivos. “Rescue Me” após um início tranquilo tem uma quebra que leva a música a um ritmo rápido e cativante liderado por um riff de guitarra e que se mantem por toda sua extensão. Uma música diferente do que a banda costuma produzir, mas de grande atmosfera e alto astral que deve funcionar ainda melhor ao vivo.

Em “Twenty Years” a banda novamente começa a canção de maneira amena, apenas com uso de guitarra acústica acompanhado por vezes de strings. Cresce exponencialmente no ouvinte com pesados riffs e solos de guitarra. Tem no seu final o ápice musical com uma sonoridade orquestral impactante de influência medieval. “Waiting” é enérgica e apresenta interlúdios de levadas de piano extremamente cativante e belo. Partes orquestrais e solos de teclados que ditam o poder que a música traz. “A New Tomorrow” provavelmente seja a música mais elegante, digamos assim, de todo o disco. Melódica e de harmonia extremamente aprazível depois ganha força sem perder seu charme principalmente por conta dos vocais melódicos. Guitarra pesada intercalando com violão, ótimo trabalho de hammond, baixo pulsante e bateria variando entre enérgica e mais suave deixando a música em magnífico equilíbrio. “Spies” é a que fecha o disco. Até a metade possui uma levada de guitarra acústica, bateria bem cadenciada, baixo em variações criativas e bonitos pianos em doses homeopáticas, ganhando um peso em seguida antes de receber nova direção onde uma “tempestade jazzy” golpeia o ouvinte em sua segunda metade. Tem um final orquestral digno pra finalizar o álbum de forma soberba e diria até que apoteótica.

Mais um tiro certo desta incrível banda de rock progressivo. Detachment com certeza é um daqueles discos capaz de encapsular o ouvinte em seu próprio universo musical.

- Tiago Meneses -


Track Listing

1.Driving Rain - 1:02
2.Promises - 5:05
3.Happy to See You - 7:37
4.One Day - 7:23
5.Secret Therapy - 5:37
6.Broken - 9:10
7.Old Ghosts - 4:07
8.Alone - 3:14
9.Rescue Me - 4:55
10.Twenty Years - 6:06
11.Waiting - 5:43
12.A New Tomorrow - 7:39
13.Spies - 7:23



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